Nota
prévia – A Ordem assistiu à apresentação
dos resultados da última avaliação serológica
do Programa Nacional de Vacinação (PNV).
As
conclusões extraídas serviram de base ao PNV que
vigorava desde 2000 e às novas recomendações que
acompanharam o lançamento do Programa Nacional de Vacinação
2006.
O
PNV 2006 entrou em vigor em Janeiro de 2006 e introduziu várias
alterações importantes, entre as quais: a vacina contra
a Neisseria meningitis do serogrupo C ; substituição da
vacina oral contra a Poliomielite (vírus atenuados) por uma
vacina injectável de vírus inactivados; a substituição
da vacina contra a Tosse Convulsa (composta por células
mortas) por outra constituída por compostos celulares
antigénicos (acelular); uma nova vacina pentavalente que
protege contra 5 doenças numa só injecção
e duas novas vacinas tetravalentes que protegem contra 4 doenças
numa só injecção.
Pela
sua importância, porque é sempre possível
actualizar o esquema vacinal de qualquer cidadão, em qualquer
momento e, como escreveu o Director Geral de Saude na página
www.dgsaude.pt –
“As vacinas permitem salvar mais vidas e prevenir mais doenças
do que qualquer tratamento médico“, apresentamos um resumo
da Avaliação do PNV.
O
texto teve a autorização dos subscritores do trabalho.
Lisboa,
16/Janeiro/2006
Emília
Arranhado
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O
Projecto “Avaliação do Programa Nacional de Vacinação
e melhoria do seu custo-efectividade”, teve como objectivo definir
o perfil serológico da população residente em
Portugal Continental relativo a infecções para as quais
existem ou se prevê a existência de vacinas, com o fim de
estabelecer estratégias.
Compete
à Direcção-Geral da Saúde (DGS) definir o
esquema (vacinas e respectivo calendário de administração),
planear a sua aplicação e providenciar a sua avaliação,
entre outros, assessorada desde 1998, pela Comissão Técnica
de Vacinação (CTV).
Em
Portugal o PNV foi implementado em 1965, e é reformulado
periodicamente. É universal e gratuito e recomenda um esquema
de vacinação que constitui uma “receita universal”
para residentes em Portugal.
O
PNV 2006 inclui vacinas contra onze doenças: difteria, tétano,
tosse convulsa, poliomielite, tuberculose, sarampo, parotidite
epidémica, rubéola, hepatite B, e as doenças
invasivas por Haemophilus influenzae tipo b e por Neisseria
meningitis serogrupo C. A
avaliação do PNV utiliza a proporção,
estimada por dados clínicos e sero-epidemiológicos
periódicos, da população imunizada/não
imunizada (susceptível), num determinado período, a
nível local, distrital, regional e nacional.
Nesse
sentido, foi realizado o “2º Inquérito Serológico
Nacional – Portugal Continental 2001- 2002”. O seu planeamento e
execução estiveram a cargo da DGS e do INSA.
Participantes:
Projecto –
Maria da Graça Freitas1 e colaboradores (DGS) e Maria Teresa
Paixão2 e colaboradores (INSA)
Recomendações
– Maria da
Graça Freitas1, Manuel do Carmo Gomes3
Metodologias
– Paulo
Nogueira6, Manuel do Carmo Gomes3, Guilherme Gonçalves7, Sara
Rabiais5, Maria Teresa Paixão2, Maria João Branco4,
Maria da Graça Freitas1
Determinou-se
a prevalência de anticorpos específicos para as doenças
incluídas no PNV e outras para as quais se prevê o
desenvolvimento de vacinas, numa amostra aleatória e
estratificada da população portuguesa, residente em
Portugal Continental.
A
amostra foi de 3.525 indivíduos distribuídos igualmente
por ambos os sexos e por 8 grupos etários – 2-4 anos, 5-9
anos, 10-14 anos, 15- 19 anos, 20-29 anos, 3044 anos, 45-64 anos e 65
e mais anos, residentes nos 18 distritos. Pretenderam-se estimativas
de prevalência com a precisão >/=5% e confiança
>/= 95%
Resumo
das Conclusões e recomendações relativas a cada
doença abrangida: Tétano (Clostridium
tetani) - A protecção é de cerca de 100% até
aos 40 anos de idade, confirmando a eficácia da vacina, visto
o contacto natural com o agente biológico não induzir
imunidade. Recomenda-se:
que não se percam oportunidades para vacinar adultos; a
vacinação de mulheres em idade fértil para
prevenção do tétano neo-natal e ainda o
tratamento de feridas com as indicações descritas no
PNV para prevenção do tétano. Difteria
(Corynebacterium
diphtheriae) -A proporção de protegidos é >86%
até aos 14 anos de idade. Após os 14 anos, a protecção
diminui (50%) por declínio dos anticorpos ao longo do tempo, o
que confirma a decisão de reforçar a vacina de dez em
dez anos, durante toda a vida, em combinação com a
vacina contra o tétano. Recomenda-se manter o esquema vacinal
e os reforços ao longo da vida. | | 
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Doença
invasiva por Haemophilus influenzae serotipo b – Esta vacina foi
introduzida em 2000 mas já era administrada, por prescrição
médica, desde 1995. Os resultados obtidos para 2-4 anos de
idade foram aquém das expectativas. Os valores nos grupos
etários mais velhos reflectem a dinâmica da infecção
natural na população. Estes
dados requerem análise cuidadosa recomendando-se a realização
de um estudo serológico específico.
Tendo
em atenção o decréscimo da doença,
recomenda-se manter o esquema de vacinação.
Hepatite
b (Vírus
da hepatite B) - Os resultados são os esperados pela história
natural da doença, a prevalência da infecção
no passado e a eficácia da vacina (> 95%). Recomenda-se
manter o esquema vacinal.
Parotidite
epidémica (Vírus
da parotidite epidémica) – Os resultados no grupo 2-4 anos
são inesperados (92,3% no 2º ano de vida) para a eficácia
teórica da vacina (96%). As proporções de
susceptíveis (25,5% nos 2-4 anos de idade e 22,3% nos 5-9
anos) explicam os casos esporádicos e/ou surtos detectados no
país.
Considerando
que a vacina é sempre combinada com a da rubéola e a do
sarampo e estas últimas mostram alta proporção
de imunizados pela vacinação, recomenda-se realizar
estudos adicionais para esclarecer esta discrepância e,
entretanto, manter a estratégia vacinal em curso.
Poliomielite
(Vírus
da poliomielite) -A protecção contra os vírus
polio 1 e polio 2 é elevada em todos os grupos etários.
A protecção contra o vírus polio 3 é
inferior, especialmente dos 15-19 anos de idade, correspondendo a
menor imunogenicidade do vírus polio 3 da vacina.
concepcionais e confirmação laboratorial dos casos de
doença. A doença está eliminada na Região
Europeia (da OMS) desde 2002 e o último
Rubéola
(Vírus
da rubéola) – A proporção de indivíduos
com protecção é elevada (> 93%), tanto nos
vacinados como nos imunizados por contacto com o vírus
selvagem.
Este
resultado era esperado dada a cobertura vacinal, a eficácia da
vacina e a fácil circulação natural do vírus
Apesar disso, 5,2% das mulheres em idade fértil entre 20 e 29
anos e 3,6% entre os 30 e 44 anos estão susceptíveis,
cerca de 10% delas têm baixas taxas de anticorpos, e continuam
a ser declarados casos de rubéola todos os anos.
Apesar
destes casos, recomenda-se manter o esquema vacinal, reforçar
a vigilância serológica em consultas préconcepcionais
e confirmação laboratorial dos casos de doença.
Sarampo
(Vírus
do sarampo) - A proporção de protegidos é >91%,
tanto nos vacinados como nos imunizados por contacto, o que era
esperado. Pela elevada transmissibilidade do sarampo, recomenda-se
manter a cobertura vacinal para ambas as doses recomendadas no PNV e
a manutenção do esquema vacinal.

Emília Arranhado Especialista em Imunologia 1
Médica, Chefe de Serviço de Saúde Pública,
Subdirectora Geral de Saúde, Presidente da Comissão
Técnica de Vacinação
2
Investigadora principal, Assessora do Centro de Virologia do
Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.
3
Professor Associado da Faculdade de Ciências da Universidade
de Lisboa, Membro da Comissão Técnica de Vacinação.
4
Médica, Assistente Graduada da Carreira de Saúde
Pública, Observatório Nacional de Saúde,
Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.
5
Lic. em Estatística e Invest. Operacional, colab. do
Observatório Nacional de Saúde Pública,
Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
6
T. superior 1ªclasse, Observatório Nacional de Saúde,
Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge |