O
sistema educativo que está subjacente ao Processo de Bolonha
conduz-nos a um novo paradigma do ensino que põe o acento
tónico na aprendizagem por parte do aluno, favorece a
aquisição de aptidões em detrimento da aquisição
de dados e valoriza a individualidade e a diversidade contra a
massificação, a especialização, e a
estandardização que hoje prevalece.
Não
obstante, fazer referência a aspectos sociais e políticos,
como o papel do ensino superior na manutenção e
desenvolvimento da democracia, o principal estímulo para o
Processo de Bolonha foi o reconhecimento de que a educação
superior na Europa, para além da sua heterogeneidade nacional,
estava ultrapassada e era pouco atractiva: muitos estudantes europeus
procuravam fazer os seus estudos superiores fora da Europa e havia
dificuldade em atrair estudantes de outros continentes.
Esta
desadequação do sistema de ensino à realidade de
novo modo de produção de riqueza era particularmente
fácil de identificar entre nós, um país ainda a
emergir de uma sociedade industrial, ela própria muito
recentemente estabelecida.
De
facto, o ensino é, em cada período histórico, o
espelho da sociedade e assume por isso mesmo um papel de
condicionamento dos futuros profissionais. Uma sala de aula é
ainda hoje, em muitos casos, como tem sido assinalado, o espelho de
uma fábrica: lugares fixos, tempos rígidos marcados
pela campainha, disciplina e hierarquia igualmente rígidas, um
programa bem definido, um professor-contramestre pouco receptivo a
sugestões, inspecções regulares, etc.. O
ambiente adequado à formação dos profissionais
intermutáveis, num mundo em que a evolução
tecnológica não era muito rápida.
Hoje
fala-se em mobilidade entre escolas, currículos opcionais,
ensino pluri e transdisciplinar, créditos baseados no esforço
de aprendizagem e não nos tempos lectivos, e learning e
até nos chamados