O
Instituto da Conservação da Natureza promoveu, no
último trimestre de 2005, as comemorações dos 30
anos da Conservação da Natureza em Portugal.
Nestes
30 anos muita coisa mudou na conservação da natureza. A
Rede Nacional de Áreas Protegidas e as competências e
atribuições do Instituto responsável pela
conservação da natureza mudaram muito desde 1975.
Mudaram
as responsabilidades e compromissos internacionais. Mudou o Mundo em
que vivemos. Aumentou a tomada de consciência sobre a
importância e as responsabilidades que se colocam à
sociedade relativamente à conservação do
património natural.
Mudou
o instituto público responsável pela sua implementação
em Portugal - cresceu, multiplicou-se, ganhou território,
competências, atribuições. Dos trinta
funcionários iniciais tem hoje cerca de mil.
O primeiro
organismo público com a responsabilidade das políticas
da conservação da natureza em Portugal nasceu em
Setembro de 1 75 sob a designação de Serviço
Nacional de Parques, Reservas e Património Paisagístico
(SNPRPP), integrado na então criada Secretaria de Estado do
Ambiente.
Em 1983 o SNRPP muda de nome e passa a designar-se
por Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação
da Natureza (SNPRCN) e é tutelado pelo Ministério do
Equipamento Social e do Ambiente.
Dez anos mais tarde, em 1 3,
adquire a designação actual de Instituto da Conservação
da Natureza (ICN) que ainda hoje mantém.
As Áreas
Protegidas, no continente, são hoje 25: 1 Parque Nacional, 13
Parques Naturais, Reservas Naturais e 2 Paisagens Protegidas. A estas
juntam-se 4 áreas
de âmbito regional (Corno do Bico, Bertiandos, Azibo e
Montejunto) e uma vasta área classificada integrada na Lista
Nacional de Sítios da Rede Natura 2000. Reportamo-nos a um
território que ocupa 21,7% do país. A
conservação do Património Natural, da
Biodiversidade e da Paisagem são uma garantia da preservação
de uma parte estruturante da nossa Identidade Nacional.
A
localização e as características geofísicas
e climáticas do nosso território, deram origem a uma
grande variedade de ecossistemas e paisagens, que propiciam um
elevado número de habitats e albergam uma grande variedade de
espécies de animais e plantas.
Mas,
esta realidade é também e sobretudo fruto de uma
secular, extensiva e tradicional utilização deste
património pelo homem. A
singularidade das paisagens, bem como a sua representatividade e o
estado de conservação das espécies e habitats
que temos entre nós, é uma mais-valia nacional.
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As
Áreas Protegidas, os Parques Naturais e o património
natural constituem também a nossa herança colectiva,
sendo a desertificação humana, hoje, uma das grandes
ameaças que enfrentam.
Alguns
questionam se haverá razões para festejar. O balanço
dos primeiros trinta anos é, sem dúvida, globalmente
positivo. Mas, estamos num momento crucial para o futuro da
conservação deste património inestimável.
O
modelo organizacional e de gestão pública da
conservação da natureza está esgotado. O colapso
financeiro e funcional é iminente.
Há
muito se clama por uma reestruturação do ICN, há
muito se debatem novos mecanismos e modelos de financiamento e
organização da conservação da natureza. O
Ministro do Ambiente anunciou um pacote de medidas para 2006:
• o
Plano Sectorial da Rede Natura 2000 (em Janeiro);
•
uma Lei Quadro da
Conservação da Natureza, da Biodiversidade e da
Paisagem (em elaboração); • um
Programa Nacional da Conservação da Natureza;
• um
novo modelo de financiamento da Conservação da
Natureza;
• um
novo modelo organizacional do ICN.
É
o momento da conservação da natureza se reformular,
modernizar, atrair novos parceiros e lançar um novo paradigma
de desenvolvimento sustentável, compatível com os
valores naturais e da paisagem, que permita suportar de forma perene
esta importante fatia do nosso património e da nossa
identidade nacional.
Aguardemos,
por isso.
Mas
estejamos alerta! A responsabilidade é também de cada
um de nós.

Mª. Jesus Fernandes Especialista em Ambiente
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